quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

INTERESSANTE ESTUDO INGLÊS AFIRMA QUE UM COLAR QUE RESFRIA O PESCOÇO AJUDAR A MELHOR O DESEMPENHO FÍSICO NO CALOR

Estudo na Inglaterra feito com voluntários que treinaram na esteira e sob a temperatura elevada (30,4ºC) indica melhora de 10% na performance com o uso do colar cervical. Fazer exercício físico no calor é certamente muito desconfortável. As altas temperaturas desta época do ano representam um adversário quase insuportável para os praticantes de atividades físicas. A fisiologia explica que quando o músculo se contrai na gênese do movimento, cerca de 75% da energia produzida é transformada em calor, e esta carga térmica precisa ser dissipada para evitar a elevação acentuada da temperatura corporal. 
A luta contra o calor produzido pelo próprio corpo, somada à dificuldade de perda pela temperatura ambiente acima de 30º, cria uma situação de grande desconforto e repercute em comprometimento do desempenho. Pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, publicaram um interessante estudo na revista oficial do Colégio Americano de Medicina Esportiva. O objetivo da pesquisa foi investigar o benefício de um colar cervical que proporcionasse um resfriamento na região do pescoço na melhora do desempenho de corrida em ambiente de temperatura elevada (30,4ºC). 

Os voluntários do estudo foram submetidos à uma avaliação da distância percorrida durante corrida em esteira em uma situação controle. Eles usavam um colar cervical com um material preenchido por um gel que era previamente mantido em congelador para manter um efeito de resfriamento na região do pescoço durante a corrida. Os resultados mostraram um significativo benefício do procedimento utilizado, que se refletiu em uma melhora de cerca de 10% no desempenho, acompanhada por significativas reduções da percepção subjetiva de esforço e desconforto térmico, como também uma redução da temperatura corporal durante o exercício. 
A justificativa para os efeitos observados, é baseada no resfriamento do sangue proporcionado pelo colar cervical, na medida em que nesta região existem grandes vasos sanguíneos em uma área muito próxima da superfície, possibilitando um benefício efetivo de resfriamento. Esta redução da carga térmica por contato direto com o colar cervical, auxilia de forma importante o mecanismo de perda de calor, repercutindo nos indicadores mensurados no estudo.
Fonte: globo.com por Turíbio Barros

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

GENÉTICA DE OURO: JORNALISTA COMENTA PODER DO DNA SOBRE TALENTO ESPORTIVO

Fonte: globo.com por Luma Dantas 

Do que é constituído o atleta perfeito? Quanto do sucesso de um esportista pode ser atribuído a seu DNA? A genética pode ser a responsável pela falta de disposição para se exercitar? A fim de responder estas e outras perguntas, o jornalista David Epstein percorreu o mundo para investigar a influência do genoma no desempenho humano em atividades físicas. Em suas pesquisas, relatadas no livro “A genética do Esporte”, lançado no Brasil no fim de 2013, o americano revela haver uma diferença genética entre atletas de força e de resistência. A recente descoberta possibilitaria a personalização dos treinamentos no futuro, potencializando a performance dos profissionais. 
- A notícia mais recente para os atletas é a identificação de uma versão de um gene que é mais comum em atletas de força do que em atletas de resistência ou em não-atletas. Os cientistas estão encontrando mais genes que influenciam a capacidade atlética, e eu espero que isso possa ser usado para adaptar programas de treinamento, para que todos possam atingir o melhor desempenho possível dentro de sua capacidade. No entanto, para que um atleta se torne campeão, não bastariam apenas muitas horas de treinamento. De acordo com David, sem um código genético capaz de ‘equipá-lo’ com o talento para determinado esporte, o profissional dificilmente seria um candidato ao título. - Uma pessoa que não tenha nenhum gene que a capacite para determinado esporte não vai ser campeã, não importa o quanto pratique. 

Em esportes menores, nos quais poucas pessoas competem, alguém que tenha pouco talento físico pode chegar ao topo apenas praticando. Mas, em um esporte com muitos competidores, é preciso ter talento inato e conhecimento adquirido para ter sucesso. Existe uma ideia de que 10 mil horas de prática podem fazer qualquer um se tornar campeão. Mas ela vem de um pequeno estudo de violinistas - não atletas -, e eles já tinham talento. Um exemplo da influência da predisposição genética na prática esportiva é o caso de Donald Thomas, um dos personagens citados pelo jornalista em seu livro - que já figura na lista dos mais vendidos do The New York Times. O autor conta que, com apenas oito meses de treinamento, o novato ganhou o Campeonato Mundial de salto em altura de 2007. 
O favorito ao título treinava há 20 anos. Todas as habilidades esportivas dependem de algum grau de ambos, talento e prática. Mas no livro eu conto a história de Donald Thomas, que começou a saltar por causa de uma aposta e venceu o Mundial em 2007. Parte disto se deve ao fato de Donald ter um calcanhar de Aquiles incomumente longo, que funciona como uma mola. Por outro lado, a maior parte dos saltadores teve que treinar por anos para alcançar o nível dele. Apesar da importância do DNA, o jornalista admite que a prática também tem papel significativo na preparação de um esportista. Para que o profissional atinja seu potencial máximo, o ideal seria conciliar genes favoráveis com um treinamento adequado. No entanto, ainda não é possível determinar o limite do ser humano. 

- Não é possível determinar o limite de um atleta apenas através da genética, principalmente porque continuamos sem saber o que a maior parte dos genes faz. Mas os cientistas já identificaram certos genes que influenciam a performance esportiva, como o ACTN3, chamado ‘gene Sprint’. Ele codifica uma proteína encontrada somente nas fibras musculares de contração rápida, usadas para velocidade e movimentos de explosão. Se alguém tem duas cópias da chamada ‘versão errada’ do ACTN3, simplesmente não estará na final dos 100m no Rio de Janeiro em 2016. (Mas isto só exclui um bilhão de sete bilhões de pessoas no mundo. Nós podemos usar um cronômetro e, de maneira mais fácil, dizer que não estaremos na final dos 100m.) 
Me submeti a testes durante a pesquisa para o livro e descobri que tenho muitos genes que apresentam boa resposta a exercícios aeróbicos. Eu deveria progredir rapidamente em treinos de corrida, o que realmente aconteceu quando competia. Comecei extremamente mal, mas rapidamente alcancei e ultrapassei parceiros de treino que estavam fazendo exatamente os mesmos exercícios. Segundo pesquisadores, o prazer experimentado com a prática da atividade física também estaria atrelado à constituição genética. Este conceito explicaria o fato de algumas pessoas treinarem compulsivamente, como a ultramaratonista Pam Reed. No dia seguinte ao Ironman de Nova Iorque, prova terminada em 11h20m, ela decidiu esperar o voo, que havia atrasado, correndo no estacionamento do aeroporto. 
- Os cientistas aprenderam que diferenças genéticas relacionadas com a química do cérebro fazem algumas pessoas sentirem mais prazer com certos com exercícios físicos. Algumas pessoas são geneticamente predispostas a treinar compulsivamente. Estudos sobre a motivação para se exercitar descobriram que a propensão genética é muito mais importante do que o acesso ao esporte. Aqueles que têm impulso inato para serem fisicamente ativos tendem a fazer isso com ou sem facilidade de acesso, embora a facilidade de acesso possa mudar o esporte que um indivíduo acaba praticando. Por compulsividade ou não, o excesso de treinos pode gerar lesões. Novamente, as descobertas da Ciência na área esportiva são vistas como uma ferramenta para descobrir riscos e minimizar a incidência de contusões. - Podemos identificar através de certos genes a predisposição para algumas lesões. Por exemplo, há genes que codificam o colágeno - a ‘cola’ do corpo -, que mantém juntos os ligamentos e tendões. 

Algumas versões deles fazem um atleta estar mais sujeito a romper um ligamento, como o ligamento cruzado, no joelho. Desde já, alguns jogadores de futebol americano estão sendo testados e, caso apresentem predisposição para romper este ligamento, devem fazer exercícios para minimizar o risco de danos. Com tantas descobertas referentes ao esporte, os cientistas garantem que a possibilidade de existir um atleta perfeito é praticamente inexistente. De acordo com David Epstein, a chance de um profissional ter um genoma completamente favorável à pratica de determinada modalidade é a mesma de uma pessoa ganhar duas vezes consecutivas na Mega-Sena. - A partir do ponto de vista da genética, podemos dizer quase certamente que não há um atleta perfeito no mundo. Alguns anos atrás, dois cientistas britânicos analisaram os genes conhecidos por influenciar o lado atlético, e calcularam a chance de uma pessoa ter todas as versões positivas deles. A chance era menor do que uma em um quatrilhão. Há apenas sete bilhões de pessoas no planeta, então as chances são de que não haja um atleta perfeito no mundo.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

CORRER NA GRAMA É UMA BOA OPÇÃO? PEDALAR AJUDA NA CORRIDA? POSSO CORRER GRÁVIDA? TIRE SUAS DÚVIDAS

Por Gustavo Luz 

O ano de 2014 já começou e aos pouquinhos os corredores vão voltando ao ritmo normal de treinos depois das festas de fim de ano. Tenha o objetivo de fazer esse ano ser melhor e mais proveitoso do que o ano passado. Para isso, não repita os mesmos erros e, sempre que possível, tire as suas dúvidas com um profissional da sua confiança, talvez isso seja um atalho para o seu objetivo. Selecionamos algumas perguntas de corredores de todos os níveis e as respondemos de forma bem objetiva. Comece o ano com as informações certas. 
Corredor rápido pode usar Whey Protein? 
Sim, essa proteína é rapidamente absorvida e eleva em um instante os níveis de aminoácidos no sangue, reduzindo a degradação da musculatura e iniciando a reparação das fibras musculares. Mas atenção: há um limite para a quantidade de proteínas que o corpo é capaz de absorver. Em excesso pode causar mal-estar e/ou engordar. 

Pedalar pode ajudar na corrida? 
Sim, para manter e melhorar o condicionamento físico, pedalar pode ser uma boa pedida nos dias em que você não for correr. Como a corrida, o ciclismo exercita principalmente as pernas, com o bônus de não sobrecarregar as articulações por conta do impacto com o solo. Como não é o caso de se tornar um craque no ciclismo, vá com calma, treinando com moderação. 
Corrida pode ajudar no combate a depressão? 
Sim, a depressão é uma doença muito séria e deve ser tratada com o acompanhamento de profissionais. O exercício físico é recomendado como parte do tratamento, já que proporciona a liberação de substâncias químicas relacionadas ao bem-estar e ao prazer, que estão diretamente relacionados ao humor. Correr em grupo também pode auxiliar nos relacionamentos e no convívio social. 

Correr na grama é uma boa? 
Sim, em comparação com o asfalto ou concreto, correr na grama produz cerca de 15% menos pressão nos pés. Essa situação é benéfica para todos os corredores de todos os níveis. E ideal para corredores em recuperação e para os que buscam minimizar o risco de se machucar enquanto aumentam a quilometragem ou a intensidade dos treinos. 

Os termogênicos funcionam? 
Sim, a pimenta, a canela e o gengibre entram nesse grupo. Além de acelerar o metabolismo, têm ação anti-inflamatória e são ricos em vitamina C. Com isso, ajudam a queimar um pouquinho a mais de calorias diariamente. Mas não espere milagres: não adianta abusar dos termogênicos se você não tem dieta equilibrada e regularidade nos treinos. 
Posso correr grávida? 
Sim, correr durante a gravidez pode trazer muitos benefícios, desde que o médico libere a gestante para a prática dessa atividade. No geral, quem ainda não corre não deve começar nesse período, mas as corredoras têm boas chances de receber o aval para continuar treinando. Vale lembrar que o ritmo das passadas deve diminuir, o objetivo aqui é fazer os treinos de forma mais leve e recreativa.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

SÓ ABDOMINAL NÃO BASTA!!! EXERCÍCIO E BOA ALIMENTAÇÃO SECAM A BARRIGA

por globoesporte.com 

O verão já pintou e chegou a hora de correr atrás da tal barriga 'sarada', o sonho de consumo de dez entre dez habitantes do planeta Terra. Por isso, descubra a melhor forma de transformar esse sonho em realidade. O professor de educação física Daniel Guimarães enfatiza algumas dicas importantes: a melhor forma de perdê-la é combinar educação alimentar com a rotina de atividade física, principalmente com alto gasto calórico. Daniel explica que existem dois tipos de gordura: a visceral, que reveste os órgãos e você não enxerga, mas promove o aumento do diâmetro da barriga, e a subcutânea, aquela que você consegue pegar e diminuir através da lipoaspiração. 
Pessoas que ingerem mais calorias do que gastam, desenvolvem barriga, aumenta da gordura corporal e vão ficar insatisfeitas com a estética de uma forma geral. Os esportes que mais ajudam a ter barriga de 'tanquinho' são os que envolvem alto gasto calórico (correr, nadar ou pedalar, por exemplo). A pessoa que faz abdominal achando que vai perder a barriga está enganada. Ele vai somente fortalecer a musculatura do abdômen - explicou o professor. 
A Nutróloga Flavia Pinho ressalta que homens que têm acima de 94cm de circunferência abdominal e mulheres acima de 80cm precisam acender o sinal amarelo. Já homens com a circunferência acima de 102cm e mulheres de 88cm devem ligar rapidamente o sinal vermelho. - Num quadro assim, há o aumento do risco de doenças degenerativas, hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, pulmonares e alguns tipos de câncer. Para mudar, é preciso fazer um balanço energético negativo, ou seja, comer menos do que a gente gasta. Reduzir de 500 a 1000kcal do que está se ingerindo ao dia, por exemplo. Deixa de comer alguns alimentos inimigos da barriga e balança é a saída para garantir a silhueta mais fina. - Carboidratatos de rápida absorção e alto índice glicêmico, como arroz branco, batata, pão branco, açúcares, mel, doces e até a cerveja devem ser evitados - encerrou.

sábado, 21 de dezembro de 2013

EFEITO PLATÔ EXPLICA A DIFICULDADE DE ELIMINAR OS QUILINHOS INDESEJÁVEIS

Fonte: globo.com por Cristiane Perroni 

Na guerra para a perda de peso, chega um determinado momento que chegar ao peso desejado fica cada vez mais difícil e isso ocorre devido ao efeito platô. Por mais que siga ao programa alimentar fica mais difícil eliminar os “quilinhos” indesejáveis. Acredita-se que seja uma defesa do organismo para sobrevivência, uma redução do metabolismo. Na nossa evolução houve mais escassez do que oferta de alimentos, portanto o nosso corpo se adaptou a estocar os alimentos para os momentos de falta. 
Entretanto, atualmente há uma grande oferta de alimentos, no Brasil nunca houve tanta variedade e acesso aos alimentos e ao mesmo tempo a população de um modo geral reduziu seu gasto calórico em atividades básicas do dia a dia (melhora nos transportes, tecnologia...). Com isso a manutenção do peso é cada vez mais difícil e a obesidade é hoje uma epidemia. A melhor forma de evitar o efeito platô é modificar a quantidade e qualidade da dieta e dos exercícios, o corpo teria maior dificuldade para se adaptar e estagnar o peso. Em relação ao exercício físico modificar treinos e modalidades é mais fácil e prazeroso, entretanto modificar dietas é mais complicado porque o papel do nutricionista é formar hábitos e quanto mais adaptado o paciente estiver melhor seguirá a dieta, porém mais facilmente entrará no platô. 

Quando elaboramos o programa alimentar e fazemos o cálculo da dieta levamos em consideração o peso inicial e conforme o peso irá reduzindo o valor calórico desta dieta também reduzirá. Um indivíduo que inicia o tratamento com 100kg terá uma dieta com valor calórico maior do que quando ele alcançar 70kg. A primeira dieta é a de maior número de calorias. Na prática não tem como reduzirmos sempre o que estamos ingerindo, existe um limite de restrição que deve ser feito. Por isso é fundamental aliar exercício físico no programa alimentar, desta forma não será necessário fazer grande restrição calórica e também melhora e trata a composição corporal. Lembrando que quanto maior a massa muscular maior é a nossa aceleração metabólica, mais calorias gastamos parados. 
O fracionamento da dieta e o próprio ato de se alimentar também favorece a aceleração metabólica através do EFEITO TÉRMICO DO ALIMENTO (ETA), energia necessária para digerir, absorver, transportar e armazenar os nutrientes. Realizar de quatro a seis refeições diárias também seria benéfico. A modificação da composição da dieta também pode favorecer a aceleração do metabolismo. Existe “perda de energia” durante a metabolização dos nutrientes e cada nutriente possui um valor: proteínas de 25 a 30%, carboidratos 6 a 8% e lipídeos 2 a 3%. Aumentando um pouco a quantidade ou o percentual de proteínas da dieta podemos induzir uma maior aceleração do metabolismo, por ela promover aceleração metabólica. 

Manteria o mesmo valor calórico da dieta, mas modificaria a distribuição de carboidratos/ proteínas/ gorduras. Fazer lanches combinando carboidratos com proteínas como: sanduiche de queijo magro com peito peru; iogurte com cereal; torradas com queijo magro; whey protein batido com banana, barra de proteína. Desta forma evitamos picos glicêmicos e conseguimos lanches ricos em carboidratos e proteínas. Durante o emagrecimento longo, perda de muitos quilos como nos diversos graus de obesidade, é preciso calma e paciência. O efeito platô é muito comum, mesmo quando ainda faltam muitos quilos a perder, mas o corpo volta a reduzir “ele” só precisa de um tempo para se adaptar a este novo patamar de peso. 
A dieta precisa estar regularmente sendo recalculada quantitativamente e qualitativamente. As metas precisam ser revistas e novas estratégias formuladas, GUERRA É GUERRA! O maior aliado à dieta e talvez o que tenha maior peso para derrubar o PLATÔ é o exercício físico, por promover maior consumo de calorias durante a prática esportiva e mudar a composição corporal do indivíduo. Quando aliamos a dieta, o exercício de força e o exercício aeróbico garantimos a mudança da composição corporal, redução da gordura corporal - real emagrecimento e aumento da massa muscular e consequente aumento do gasto energético em repouso.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

SEDENTARISMO CONTRIBUI PARA NÚMERO CADA VEZ MAIOR DE OBESOS NO BRASIL

Por Nabil Ghorayeb Fonte: globo.com 

O último Congresso de Cardiologia deste ano foi o mais importante de prevenção cardiovascular. O "Brasil and Latin Prevent" contou com a presença dos presidentes das maiores sociedades de cardiologia do mundo, em Salvador dia 7 de dezembro. A surpresa foi a dura e incisiva constatação que o sedentarismo passou a ser dos mais danosos fatores de risco para a maior causa de mortes no mundo, a doença cardiovascular. Nos países desenvolvidos, ela diminuiu ao redor de 10%, enquanto nos países em desenvolvimento está ainda elevada e sem diminuição. 
A primeira consequência é o enorme crescimento da obesidade (chegou à 64%) em nosso país, e daí a cascata de doenças cardíacas degenerativas, diabetes, hipertensão arterial e outras. Os dados do nosso IBGE mostraram que o brasileiro apesar de 200 mil futebolistas profissionais, 400 mil corredores de rua, milhares de surfistas e outros esportistas, tem o sedentarismo na faixa de 80% da população. E isso contando todas as caminhadas para ir à escola ou ao trabalho. As mulheres são mais sedentárias que os homens, provavelmente pela absoluta falta de tempo, nos dias de hoje, onde a dupla e tripla jornada delas é um problema não resolvido. 

As informações divulgadas no congresso, pelos autores das pesquisas, nos deram a esperança de que iniciativas dos vários setores da sociedade podem mudar esse cenário. Andar, correr, nadar e pedalar são as primeiras opções desde a infância, que mostra um aumento grave de sedentarismo e obesidade. Não precisamos de academias, equipamentos, roupas especiais... apenas vontade! Não precisamos de medicamentos para emagrecer, pois uma dieta saudável e exercício físico regular em poucos meses já mostra o bom resultado. 
Em tempo, o uso de polivitamínicos foi debatido nesse congresso e considerado sem nenhuma utilidade para a prevenção da saúde, em pesquisas sérias publicadas em revistas de grande importância científica. A reeducação alimentar orientada por nutricionista resolve e sai muito mais em conta. 

Para quem quiser se aprofundar no tema seguem referências: Angell PJ Br J Sports Med 2012;46:i78-i84 e Deligiannis A et al. European Journal of Cardiovascular Prevention & Rehabilitation 2006;13:687-

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

TENDINITE PATELAR: INFLAMAÇÃO AFETA O JOELHO DEVIDO AO ESFORÇO REPETITIVO

Por Adriano Leonardi Fonte: globo.com 

A tendinite patelar, conhecida na língua inglesa como Jumpers Knee (joelho do saltador) é uma condição que, apesar de aparentemente inofensiva, pode levar à grande incapacitação à prática esportiva. Blazina foi o primeiro autor a estudar a doença em 1973, descrevendo uma tendinopatia (doença do tendão) visto em atletas que praticavam salto a distância. O joelho do saltador normalmente afeta a fixação do tendão patelar do polo inferior da patela devido ao mecanismo que ocorre durante a desaceleração no esporte. 
A incidência é maior nos homens. É uma das doenças do joelho mais comuns em atletas, ocorrendo em até 20% dos que praticam salto. Quanto ao lado acometido, homens e mulheres são igualmente afetados quando ocorre bilateralmente. Quando ela é unilateral, a relação é de dois para um. 

POR QUE A DOENÇA SE DESENVOLVE? 
Acredita-se que a patologia seja causada por esforço repetitivo sobre o tendão patelar e do quadríceps, durante o salto. É uma lesão específica para atletas, principalmente aqueles que participam de esportes envolvidos na desaceleração, como basquete, vôlei, handebol e corrida de rua. É ocasionalmente encontrada em jogadores de futebol, e em casos raros, pode ser visto em esportes como musculação e ciclismo. Fatores predisponentes incluem maior peso corporal, genu varo e geno valgo, um ângulo Q do joelho aumentado, patela alta, diferença no comprimento do membro, encurtamento das cadeias musculares, principalmente da posterior (isquiotibiais) Fatores ligados ao treino incluem falta de preparo físico direcionado ao esporte, técnica inadequada e aumento súbito da intensidade e frequência do esporte (overtraining). 

No esporte, joelho é uma articulação, cujas funções são a de absorver a energia cinética gerada pelo contato dos membros inferiores ao solo e transmitir o movimento aos demais seguimentos do corpo. Isto se deve a dois mecanismos básicos: a chamada contração muscular excêntrica, onde a fibra muscular contrai e alonga-se resistindo ao movimento e aos graus de flexão. Em uma corrida, por exemplo, a força de reação ao solo, que chega a ser duas vezes o peso do indivíduo, é absorvida pela flexão do joelho entre 50 e 60 graus e pela resistência do quadríceps, ou músculo anterior da coxa. 
O restante é dissipado pelo quadril e coluna vertebral. A doença ocorreria da perda deste equilíbrio. De uma certa maneira, o quadríceps deixaria de absorver toda a energia cinética e o tendão, sobrecarregado, sofreria micro-ruptura e degeneração. 

O QUE SE SENTE? 
Os pacientes relatam dor anterior do joelho, muitas vezes contínua. O início dos sintomas é insidioso. Normalmente, o envolvimento é infrapatelar ou perto do polo inferior. Dependendo da duração dos sintomas, o joelho do saltador podem ser classificados em uma a quatro fases: 
* Fase 1 - dor apenas após a atividade, sem prejuízo funcional 
* Fase 2 - dor durante e após a atividade, embora o paciente ainda é capaz de executar satisfatoriamente em seu esporte 
* Fase 3 - prolongada durante e após a atividade, com a dificuldade crescente na realização de um nível satisfatório 
* Fase 4 – Ruptura completa do tendão exigindo reparação cirúrgica. 

O exame físico pode revelar aos seguintes achados: * Ponto de dor no polo inferior ou superior da patela, ou tuberosidade tibial * Encurtamento dos isquiotibiais e quadríceps. * estabilidade ligamentar normal do joelho. * Derrame intra-articular do joelho (raro) 
Tratamento 
Na fase aguda, impreterivelmente, institui-se os programas de reabilitação, incluindo: * Modificação Atividade: Diminuir as atividades que aumentam a pressão femoropatelar (por exemplo, pular, agachar). Possivelmente início suave atividades de carregamento excêntrico. * Crioterapia: Aplicar gelo por 20-30 minutos, 4-6 vezes por dia, especialmente após a atividade. * Melhoria do alongamento: incluindo (1) os flexores do quadril e joelho (isquiotibiais, gastrocnêmio, iliopsoas, reto femoral, adutores), (2), extensores de quadril e joelho (quadríceps, glúteos), (3) da banda iliotibial, e ( 4) o retináculo patelar. * Reforço muscular: Fortalecer usando cadeia cinética fechada e exercício excêntrico (ou seja, a perna única descidas agachamento). * Avaliação isocinética: Detecção de possíveis desequilíbrios musculares através da analise do dinamômetro isocinético e tratamento dos mesmos. * Treinamento proprioceptivo específico, pliometria e retorno programado e assistido ao esporte. 

QUANDO SE OPERA? 
Em geral, após falha do tratamento conservador, indica-se o cirúrgico. Os dois principais procedimentos incluem a perfuração do polo envolvido e o corte da área acometida do tendão. O objetivo da perfuração é aumentar o suprimento vascular para a área afetada. Recentemente, com o chegada da artroscopia do joelho, é possível que seja realizada sem a incisão anterior clássica. O segundo procedimento envolve o corte longitudinal do tendão envolvido. O principal benefício deste procedimento é que ele permitiria retirada de todo o tendão doente, com posterior cicatrização da lesão. 
Além da cirurgia, existem outros tratamentos? Embora ainda em estudo, autores relatam sucesso no tratamento da doença com: * A terapia por ondas de choque (TOC): prevê um resultado comparável funcional em comparação com a cirurgia, de acordo com os pares e colegas. Nesta técnica, uma máquina emite pulsos semelhantes aos usados nas quebras de cálculos renais sobre o tendão doente. A partir daí, ocorreriam estímulos à cicatrização da lesão. * Aplicação de plasma rico em plaquetas: O PRP é um novo procedimento, baseado numa ideia revolucionária: Injetar nas lesões dos atletas e pacientes em geral, uma concentração de células reparadoras do seu próprio sangue. Este concentrado que é principalmente de plaquetas (daí o nome: plasma rico em plaquetas) contém as substâncias que ajudam a reparar tecidos, os “fatores de regeneração tecidual”, nossos fatores de cicatrização e crescimento celular. 

Logo, o tratamento, que era chamado “fator de crescimento” (hoje renomeado por levar a entender e confundir com GH- hormônio de crescimento que é doping e proibido para utilização na melhora do desempenho em atletas) foi difundido para tantos usos e tratamentos como se fosse a saída para todas as lesões. 
RETORNO AO ESPORTE  
Retornar para o esporte deve ser baseada na capacidade de um atleta com segurança e habilidade executar atividades esportivas específicas.Quando os sintomas persistem apesar do tratamento conservador ou até mesmo tratamento cirúrgico, o atleta deve pesar os benefícios e as consequências de jogar com dor. A complicação mais comum é a dor persistente durante o esporte. A mais temida é a ruptura espontânea do tendão, que em geral ocorre após uma contração abrupta do músculo quadríceps, levando a ascensão súbita da patela e incapacitação imediata. Esta condição leva à necessidade imediata de reparo cirúrgico. A prevenção de sua ocorrência envolve fatores como: * Avaliação do aparelho locomotor voltada à biomecânica do esporte. * Preparação física para a prática esportiva desejada. * Prática esportiva supervisionada por um profissional do esporte e, se possível também por um fisioterapeuta para que se evite erros no gesto esportivo ou overtraining.